Na era da infoxicação, a armadilha é a própria informação, os algoritmos que ditam o que chega até nós, ou tudo isso dentro de sistemas capazes de priorizar e distribuir conteúdo depois de aprenderem o nosso comportamento on-line?
Dá pra notar que o parágrafo ansioso acima foi escrito por uma pessoa infoxicada, mas vamos ao que interessa.
Nunca produzimos, compartilhamos e recebemos tanta informação. E, essa lógica não faz parte somente da rotina de rolar o feed por horas, ela também existe dentro das empresas.
Até porque as organizações também investem em ferramentas para produzir, distribuir, armazenar e encontrar informação. Hoje existem mais canais, dados, sistemas e mais possibilidades de segmentação do que nunca.
Mas a pergunta que fica é: quem organiza essa atenção?
A economia da atenção
O termo “economia da atenção” foi cunhado em 1971 pelo Nobel de economia Herbert Simon. Esse campo trata a atenção humana como um recurso valioso, porém finito.
Basicamente, a abordagem da economia da atenção se concentra no fator limitante da era da informação, que é nada mais do que a nossa capacidade finita de processar o volume infinito de informações disponíveis.
Ou seja, a atenção é inversamente proporcional à quantidade de informações.
Em terra de algoritmo, a atenção é a realeza
No trabalho, não existe propriamente um algoritmo único decidindo o que será visto. Todavia, há uma combinação de e-mails, mensagens, reuniões, comunicados, dashboards, newsletters, grupos de projeto, plataformas de aprendizagem, demandas de gestores e campanhas internas.
Tudo isso, com um senso de urgência diferente, e acontecendo ao mesmo tempo.
Dados do relatório Work Trend Index 2025, da Microsoft, mostraram que os trabalhadores são interrompidos, em média, a cada dois minutos durante o horário de trabalho por reuniões, e-mails ou mensagens, representando cerca de 275 interrupções em um dia de oito horas.
Os números são impressionantes, sobretudo, considerando uma jornada de trabalho de oito horas. Além disso, atenção não é sinônimo de tempo, afinal, ter oito horas disponíveis na agenda não significa ter oito horas disponíveis de atenção.
Por exemplo, uma reunião de 30 minutos consome 30 minutos de tempo. Porém, uma interrupção de dois minutos quebra o raciocínio de uma tarefa que exigiria uma hora de concentração. Um e-mail aparentemente inofensivo pode abrir uma cadeia de decisões, respostas e novas tarefas.
Isso abre precedentes para o seguinte questionamento: as organizações aprenderam a administrar a atenção dos colaboradores?
Quem organiza a atenção dentro das empresas?
O setor de RH, de marketing, jurídico e segurança, em um dia, podem trazer a mesma demanda: requerer a atenção dos colaboradores para transmitir informações importantes, alertas, entre outras informações.
Como já entendemos acima, a atenção é um fator limitado, portanto, planejamento e estratégia são fundamentais. Criar mais canais não é a solução, tornar “tudo prioridade também não.
Talvez seja triste admitir, mas quanto maior a infraestrutura de comunicação, maior poderá ser a dificuldade de definir a informação que realmente importa.
Comece com a pergunta, “qual canal vamos usar?”. E em seguida, “quem precisa ser comunicado sobre isso?”.
Editar, segmentar e coordenar as informações é um papel fundamental dentro das organizações.
Seria o novo papel das lideranças literalmente editar o tráfego da atenção?
Isso soa bem mais empolgante pra mim. Afinal, advém de uma interpretação das áreas, requer conhecimento sobre os colaboradores e implica uma capacidade de hierarquizar de maneira inteligente um circuito de informações que pode mudar a rotina do colaborador e da empresa e, sobretudo, evitar gargalos e excessos.
Atenção no escritório X na operação
E quem não está no Teams, Slack, intranet e outras plataformas on-line? Será mesmo que a comunicação para quem não está frente às telas é mais fácil?
Enquanto no escritório a informação é amplamente acessada, o público operacional está muitas vezes fadado à subdesinformação. E este é mais um gargalo apontado pela não edição das informações.
Às vezes a mensagem tarda a chegar, acontece só no “boca a boca”, ou simplesmente não é atrativa ou de fácil acesso. Sabe aquele papel branco com letras pequenas no mural que ninguém para pra ler? É disso que estou falando.
O fato de que a comunicação digital não está necessariamente no centro da rotina do público operacional ainda requer um planejamento direcionado, tanto quanto para o público hiperconectado.
O risco do “não tem problema, a IA faz isso”
Considerando que o uso inteligência artificial reduz drasticamente o custo de produzir informação, ganhamos um novo inimigo e ele é naturalmente controverso.
Ao passo que podemos gerar textos, relatórios, apresentações, análises e campanhas em uma velocidade sobre-humana, fica ainda mais difícil decidir qual informação merece atenção.
E, piora um pouco mais.
Porque se agentes de IA passarem a produzir, monitorar e distribuir informação em escala, o risco não será apenas ter mais conteúdo, mas de termos mais sistemas competindo para decidir o que merece nossa atenção.
Afinal, existe uma enorme diferença entre ter informação e saber o que fazer com ela.
E é por isso que a governança da atenção deve ser construída por uma liderança capacitada e otimista, que identifique a riqueza das informações, a partir de um timing, uma segmentação e um alcance estrategicamente desenhado.
Se tudo é urgente, nada é urgente. Se há uma liderança governando a atenção, a informação chega à área correta, no timing correto, seja on-line ou offline.

Por Mírian Bottino, redatora da DALE.
O texto acima foi produzido por um parceiro Dialog, tendo seus direitos reservados. A Dialog não se responsabiliza pelo conteúdo deste artigo, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.



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