A Gen Z está mudando a relação com o trabalho
Entrar no mercado de trabalho pela área de Comunicação Interna me fez perceber que a relação com o trabalho mudou. Para a minha geração, a empresa não é apenas o lugar onde a carreira acontece. É também um ambiente em que queremos entender o que está acontecendo, enxergar sentido no que fazemos e construir relações que façam parte dessa experiência.
Essa é uma percepção pessoal, construída a partir das experiências que tive aqui na área e também do contato com diferentes contextos, pessoas e formas de fazer comunicação. E alguns dados ajudam a contextualizar essa mudança.
A Gen Z & Millennial Survey 2026, da Deloitte, ouviu 22.595 pessoas em 44 países, incluindo 804 brasileiros. O estudo aponta uma busca maior por estabilidade, desenvolvimento de habilidades e bem-estar, em vez de um crescimento profissional acelerado.
No Brasil, 69% da Gen Z afirmam ter interesse em assumir uma posição de liderança em algum momento, mas apenas 6% colocam chegar à liderança como principal objetivo profissional. Além disso, 81% dizem que ter um amigo no trabalho aumenta sua felicidade.
Esses dados não definem uma geração inteira, mas ajudam a mostrar que as expectativas em relação ao trabalho mudaram. E, se a relação das pessoas com as empresas evoluiu, a forma de se comunicar com elas também precisa acompanhar.
A Comunicação Interna precisa estar antes da mensagem
Foi justamente nesse contexto que passei a olhar para a Comunicação Interna de uma forma diferente. Antes, pensava muito mais na comunicação como mensagem, canal, formato e engajamento. Hoje, percebo também tudo o que existe antes e depois de uma mensagem chegar ao colaborador.
Comunicar não é apenas transformar uma informação em um comunicado. É entender o contexto, antecipar dúvidas, alinhar o tema à estratégia de negócio, escolher a melhor forma de chegar a diferentes públicos, definir quando uma mensagem precisa de outras ativações, e acompanhar seus resultados e impactos.
Mais do que aparecer quando existe algo pronto para ser divulgado, a Comunicação Interna deve participar desde o início das conversas, ajudando a construir caminhos para que as mudanças façam sentido para quem vai vivê-las.
Estratégia é fazer a comunicação acontecer
Quando penso em uma Comunicação Interna estratégica, penso em uma área capaz de olhar para o que está acontecendo na empresa e perguntar: onde a comunicação pode ajudar? Estamos chegando a todos os públicos? Estamos ouvindo ou apenas falando?
Para isso, a Comunicação Interna precisa estar conectada aos diferentes movimentos da organização: Cultura, Liderança, ESG, Diversidade e Inclusão.
Conectar esses assuntos às mudanças da companhia, transformando-os em algo que as pessoas entendam — uma mudança pode ser necessária para o negócio, mas, quando chega sem contexto ou explicação, pode gerar insegurança, ruído e diferentes interpretações. É nesse ponto que a Comunicação pode aproximar estratégia e experiência, ajudando as pessoas a compreenderem o que aquela mudança significa na prática.
Quero fazer a comunicação girar
Talvez essa seja a melhor forma de resumir o que espero da Comunicação Interna: uma área que faça a comunicação circular. Entre áreas. Entre liderança e colaboradores. Entre estratégia e prática. Entre aquilo que a empresa pretende construir e aquilo que as pessoas realmente vivem.
Não no sentido de ser responsável por tudo, mas de atuar como uma conexão entre diferentes partes da organização, ajudando a transformar informação em entendimento e estratégia em movimento.
Quero uma Comunicação Interna que informe, mas também envolva. Que seja estratégica para a empresa, mas próxima de quem trabalha nela. Que acompanhe as transformações do negócio sem esquecer das pessoas que precisam vivê-las.
E essa proximidade também passa pelo diálogo. A Gen Z cresceu em ambientes em que comentar, responder, compartilhar e participar fazem parte da experiência. No trabalho, essa expectativa também aparece. Existe valor em poder perguntar, dar opinião, entender decisões e perceber que há espaço para ser ouvido.
E, como alguém que está começando a construir sua trajetória na área, é esse movimento que também quero ajudar a construir: uma Comunicação Interna valorizada pelos diferentes setores, presente nas conversas, capaz de observar, escutar, conectar e propor.
Uma área que não comece apenas quando o projeto está pronto, mas que possa estar presente antes mesmo de ele acontecer. Que questione quando necessário, ajude a antecipar desafios e pense em como diferentes públicos vão receber e viver cada mudança.
Porque Comunicação Interna vai muito além de colocar um mural na fábrica ou disparar um comunicado. É pensar em como comunicar com pessoas diferentes, em contextos diferentes, e criar condições para que a empresa inteira possa entender, participar e se engajar.
No fim, talvez seja esse o papel que mais faça sentido para mim: aproximar pessoas da estratégia e ajudar as empresas a mudar sem perder de vista aquilo que faz qualquer comunicação existir: as pessoas.

Por Isabela Cardoso Furtado Barbosa, Analista de Comunicação Interna Jr. na United Minds.
O texto acima foi produzido por um parceiro Dialog, tendo seus direitos reservados. A Dialog não se responsabiliza pelo conteúdo deste artigo, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.




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