De quatro em quatro anos, acontece o encontro de uma tríade importante nas organizações: Comunicação Interna, Copa do Mundo e eleições.
Se disputar a atenção dos colaboradores com atividades do cotidiano e informações de outras áreas já torna o trabalho da Comunicação Interna difícil, engajar esse público em tempos de grandes eventos externos é ainda mais desafiador.
Faltando poucos meses para ambos os casos, como a Comunicação Interna pode se preparar para lidar com temas sensíveis e não deixar de engajar os colaboradores?
Para responder a essas perguntas e compartilhar dicas e boas práticas, o 7º episódio do Dialog Experts recebeu Marcelo Rouco, CEO na DALE, e Roberto Ângelo, gerente de Comunicação no Grupo In Press, ambas agências parceiras da Dialog.
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Comunicação Interna, Copa do Mundo e eleições: o que muda?
A Comunicação Interna em tempos de Copa do Mundo e eleições, assim como em outros grandes eventos externos, precisa garantir que as mensagens institucionais sejam entregues e realmente assimiladas. Para isso, será que é preciso mudar algo na estratégia de canais?
Marcelo Rouco analisa que a distração por parte dos colaboradores não acontece apenas em grandes eventos, visto que no último ano muitas pesquisas mostraram quedas significativas nos índices de engajamento de profissionais dentro das organizações.
Pelo fato do Brasil ser um país apaixonado por futebol, ele explica que é praticamente impossível uma empresa sair ilesa na época do campeonato, pois as pessoas falarão sobre os jogos durante o trabalho. Nesse sentido, a Comunicação Interna deve entender como conseguir entrar no momento certo na conversa.
Ele compartilha duas dicas práticas: entender os horários dos jogos para evitar soltar comunicações nesses momentos e apostar em formatos mais curtos, levando em consideração que ambas as épocas chamam a atenção das pessoas, mesmo em horário de trabalho, sendo necessário que a CI assuma uma postura mais direta e objetiva para garantir que a eficiência da mensagem.
Para Roberto Ângelo, é preciso ter cuidado com a frequência de mensagens, pois a estratégia de comunicar mais visando aumentar o engajamento costuma ter efeito oposto.
“O que funciona melhor é sempre priorizar o que é essencial, reduzir o ruído e trabalhar com precisão. Isso passa por 3 coisas muito importantes: segmentação, timing e formato”, diz.
Engajamento em grandes eventos
Como a Comunicação Interna pode aproveitar os momentos de Copa do Mundo e eleições para engajar sem perder o foco do negócio?
O gerente de Comunicação no Grupo In Press acredita que é importante sempre conectar o evento ao propósito da organização.
Como dicas práticas, ele recomenda dinâmicas para destacar o trabalho em equipe a fim de aproveitar o clima de competição e o espírito de grupo, natural na época dos jogos. O RH pode ser um importante aliado nesse projeto.
Roberto também compartilhou um case de uma empresa que criou um álbum de figurinhas, no qual os times eram as áreas da empresa. Iniciativas como essa fazem com que colaboradores se sintam representados e permitem que as equipes se conheçam.
Já no caso de eleições, ele ressalta que o clima é diferente e que as empresas precisam adotar uma postura neutra para autopreservação em tempos de polarização, tomando cuidado com o assédio eleitoral, algo que cresceu nos últimos anos.
Como formas de engajar colaboradores nessa época, o profissional indicou iniciativas de voluntariado e de incentivo à inovação, que gerem transformações sociais.
Em adição, o CEO na Dale explica que não é possível ignorar o fato de que, fora das organizações, conversas sobre política acontecem e que empresas podem oferecer um espaço seguro para isso, delimitando limites e fomentando uma cultura de respeito.
Ele também ressalta que CI pode usar esses momentos como pontes para mensagens e valores que precisam ser repassados aos colaboradores, e não como uma quebra de atenção.
“É aproveitar o que cada um deles traz para trabalharmos algo em paralelo”, ressalta.
Bolão
Marcelo explica que algumas empresas evitam fazer iniciativas durante o período por medo de queda na produtividade, mas, mais uma vez, por se tratar de um país com futebol como parte da cultura, isso acontece de qualquer forma. Sendo assim, a Comunicação Interna pode usar artifícios para colocar a empresa no meio da conversa.
Pensando nisso, a DALE criou um bolão para construir mais um ponto de contato entre CI e colaboradores nesse período e reforçar comportamentos desejados, como acessar determinado canal.
Ele também indica que a iniciativa pode funcionar como reforço de cultura e valores organizacionais, além de contribuir para um clima de trabalho mais leve.
O bolão é mensurável e os dados se tornam informações valiosas para entender o hábito e as preferências de consumo de informação por parte dos profissionais nas empresas.
Cuidado nas eleições
Ao contrário da Copa do Mundo, em período eleitoral o ambiente fica mais sensível. Roberto reforça a necessidade da empresa se proteger e que isso pode ser feito com governança: delimitando limites e políticas, bem como proibindo usar dependências da organização para propaganda eleitoral.
Ele explica que a liderança possui papel importante nesse cenário como aliada da Comunicação Interna, visto que o número de denúncias de coação e assédio eleitoral aumentou, e que cabe a esse público evitar compartilhar suas opiniões políticas no local de trabalho para evitar mal entendidos.
Marcelo posiciona a Comunicação Interna como a guardiã dessas regras e informações, garantindo a transparência e a posição de neutralidade.
“A Comunicação Interna passa a ter esse papel importante de mediadora, de falar ‘olha, o ambiente aqui é dessa maneira’. É importante que a liderança traga esse mesmo direcionamento, para que não haja conflito entre o que a empresa está passando e o que o líder está falando”, pontuou.
Para finalizar, Roberto complementa dizendo que neutralidade não é omissão, mas sim uma escolha ativa da empresa em criar um lugar seguro.
Comunicação Interna na Copa do Mundo e eleições: parceria com liderança
Como contar com o apoio da liderança em ações de Comunicação Interna na Copa do Mundo e eleições (e em outros momentos, claro!)?
Marcelo explica que é necessário mostrar para esse público a importância e o impacto em termos de resultados de negócio: pessoas informadas por canais de CI e por seus líderes tendem a performar melhor e, consequentemente, não saem da empresa.
A segunda dica é contar com o apoio dos dados para se aproximar de líderes e poder apresentar essas métricas correlacionadas com o negócio.
“Se eu [líder] estou ajudando meus colaboradores a performar melhor, naturalmente meu time está entregando mais e eu também. Então, (…) quanto mais a gente consegue provar para o líder, mais ele tende a estar engajado e próximo da CI com a gente”, comentou.
Roberto finalizou lembrando que a liderança pode até ter boa vontade para ajudar a Comunicação Interna a engajar colaboradores, mas precisa ser treinada e capacitada para tal.
“O uso de dados é fundamental. É preciso mostrar para eles o resultado que não veem no dia a dia, mostrar que a comunicação é uma parceira”, afirmou.
FAQ: Comunicação Interna em época de Copa do Mundo e eleições
1. O que muda na Comunicação Interna durante Copa do Mundo e eleições?
A Comunicação Interna precisa priorizar mensagens essenciais, segmentação, timing e formatos curtos para reduzir ruído e garantir assimilação. Evite horários de jogos e frequência excessiva de envios.
2. Como engajar colaboradores na Copa do Mundo sem perder o foco no negócio?
Conecte o evento ao propósito da organização com dinâmicas em parceria com RH, como álbuns de figurinhas com times representando áreas da empresa, reforçando trabalho em equipe.
3. O bolão é uma boa iniciativa para Comunicação Interna na Copa do Mundo?
Sim. Bolões criam pontos de contato, reforçam canais como redes sociais corporativas, promovem cultura organizacional e geram dados mensuráveis sobre hábitos de consumo de informação.
4. Como lidar com eleições na Comunicação Interna?
Adote neutralidade ativa com governança clara: proíba propaganda eleitoral, delimite limites e treine líderes para evitar assédio. Crie espaços seguros fomentando respeito e transparência.
5. Como envolver a liderança em ações de Comunicação Interna na Copa do Mundo e eleições?
Mostre impacto nos resultados de negócio com dados: uma comunicação eficaz melhora performance e retenção. Capacite líderes com métricas para provar que são parceiros estratégicos.

Por Marcela Freitas Paes, analista sênior de Marketing (Conteúdo e Redes Sociais) e editora do Dialog Blog.




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