Após 18 anos de pesquisas contínuas em uma centena de organizações de Varejo, Indústria e Serviços por todo o território nacional, a Santo de Casa Endomarketing consolidou um diagnóstico revelador: independentemente do setor ou da região, os desafios humanos e comunicacionais são praticamente os mesmos.
Para 95% das empresas ouvidas, o exercício da coerência, da comunicação eficiente e da valorização real ainda é uma meta distante. Abaixo, detalhamos as três principais deficiências que impedem as organizações de alcançarem a alta performance.
1. O abismo entre o discurso e a prática
A deficiência mais citada pelos colaboradores é a falta de coerência entre o que a liderança diz e o que a operação exige.
- Mensagens positivas vs. realidade: há um esforço em transmitir pilares como propósito e segurança, mas…
- Há um conflito de metas: na prática, o colaborador é cobrado por entregas que ignoram esses valores.
A solução passa por garantir as condições necessárias para que a narrativa organizacional seja praticável no dia a dia. Quando a empresa falha em dar essas condições, ela gera dissonância cognitiva. O cérebro do colaborador percebe o perigo (a mentira) e entra em modo de defesa, o que mata o engajamento e a confiança. A Comunicação Interna serve para dar significado ao trabalho, mas a estrutura organizacional serve para torná-lo possível. A solução é o encontro dessas duas forças.
2. A falha na visão sistêmica e interpessoal
Uma Comunicação Interna eficiente deve levar a informação certa, no tempo certo, para quem precisa tomar decisões na ponta.
- Barreiras intersetoriais: o ponto crítico reside na comunicação interpessoal e entre departamentos, muitas vezes prejudicada pela falta de visão do todo.
- Complexidade do processo: comunicar é “compartilhar o comum”. Envolve o que eu digo, o que o outro ouve, o que ele compreende e, por fim, o que ele retém.
A educação para o diálogo é a garantia de que “esse jogo” pode ser virado. A comunicação é uma habilidade que precisa ser ensinada, e as pessoas devem ser orientadas para diálogos construtivos.
3. A valorização como ferramenta de saúde e bem-estar
A falta de valorização é frequentemente citada como uma deficiência central. Para a neurociência, isso vai muito além de um “elogio”, estimula a produção de hormônios poderosos para a saúde e bem-estar geral.
- Mais que percepção: não se trata apenas de uma visão distorcida do funcionário, mas de uma carência real de processos e ritos estruturados nas empresas.
- Impacto biológico: o reconhecimento ativa processos neurocerebrais poderosos que geram bem-estar e engajamento efetivo, passando pela produção de hormônios do bem-estar como a dopamina (hormônio da recompensa), liberada quando recebemos um feedback positivo ou alcançamos uma meta. É ela que impulsiona o colaborador a buscar a excelência para reviver aquela sensação de conquista.
Criar uma cultura do reconhecimento passa por líderes preparados e ritos criados para que o reconhecimento seja parte da rotina, sempre ancorado nas diretrizes e resultados desejados pela instituição.
Do diagnóstico à ação
Se 95% das empresas ainda tropeçam nesses pontos após quase duas décadas, o convite que a Santo de Casa Endormarketing faz é para o exercício da coerência, da comunicação eficiente e da valorização real. Menos “perfumaria” e mais pragmatismo na gestão do fator humano podem custar pouco e causar grandes impactos nas organizações.

Por Camila Lustosa, sócia-diretora da Santo de Casa Endomarketing.
O texto acima foi produzido por um parceiro Dialog, tendo seus direitos reservados. A Dialog não se responsabiliza pelo conteúdo deste artigo, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.




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